Mercado da Borracha Natural: Resumo da semana de 18 a 22 de agosto de 2025
Análise semanal sobre cotações, tendências e fatores que impactam o mercado internacional e o preço de referência da borracha natural no Brasil na semana de 18 a 22/08/2025.

Introdução
O produtor de borracha natural precisa acompanhar as oscilações do mercado para planejar o momento e avaliar alternativas de investimento. Esta análise resume os principais acontecimentos entre 18 e 22 de agosto de 2025, incluindo cotações internacionais, o preço‑referência do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e os fatores macroeconômicos que estão impactando a heveicultura.
Panorama internacional
Os contratos futuros de borracha em Tóquio e Cingapura seguiram voláteis. Segundo dados do portal Trading Economics, em 20 de agosto a borracha está cotada em cerca de 170,90 centavos de dólar por quilo, registrando alta de 0,35% no dia e de 1,24% no mês, embora ainda acumule queda de 3,01% no ano. O mesmo site projeta que os contratos devam encerrar o trimestre ao redor de 167,41 centavos de dólar e recuar para 156,26 centavos em 12 meses. O mercado continua sensível às chuvas fortes e inundações no sudeste asiático, como na Tailândia, que limitam a sangria das seringueiras e geram preocupações com a oferta.
A reportagem do Business Today de 11 de agosto mostra que o mercado malaio ampliou os ganhos acompanhando a alta dos futuros regionais, em especial no Japão. O sentimento foi impulsionado pelas expectativas de corte de juros nos Estados Unidos e por preocupações com a restrição de oferta em países produtores como a Tailândia; por outro lado, a queda do preço do petróleo, em meio às negociações sobre tarifas entre EUA e China, limitou o avanço. Às 15h, a Junta da Borracha da Malásia (MRB) cotava o Standard Malaysian Rubber 20 (SMR 20) a 736 sen por quilo, alta de 10 sen, enquanto o látex a granel subiu 5 sen, para 574 sen por quilo. Esse movimento indica que, mesmo com o recuo das cotações do petróleo, a procura por borracha se manteve firme.
Em termos de balanço global, a Associação dos Países Produtores de Borracha Natural (ANRPC) estimou em março que a produção mundial crescerá apenas 0,3%, para 14,9 milhões de toneladas, enquanto o consumo aumentará 1,8%, atingindo 15,6 milhões de toneladas. Esse déficit de cerca de 700 000 toneladas pelo quinto ano consecutivo tende a sustentar os preços em patamares elevados.
Mercado interno e preço‑referência do IEA
O Instituto de Economia Agrícola divulga mensalmente o preço‑referência da borracha natural para o estado de São Paulo. Em julho de 2025, o valor ficou em R$13,16 por quilo, leve alta de 0,9% em relação a junho; o aumento refletiu a alta de 3,5% nos contratos na bolsa de Cingapura e a estabilidade do dólar, enquanto os fretes internacionais caíram 17,3%.
O comportamento recente mostra volatilidade: em junho de 2025 o preço havia recuado para R$13,04/kg, queda de 4,8% ante maio, devido à queda de 6,1% dos contratos internacionais e à apreciação do real. Em maio, o valor estava em R$13,70/kg (+3,7%), impulsionado por aumento nos contratos e elevação nos fretes, apesar da queda do dólar. Em abril, por sua vez, a referência ficou em R$13,21/kg, 14,2% menor que em março, acompanhando a queda de 14,7% nos contratos de Cingapura e a retração de 22,4% nos fretes. Esse histórico evidencia que o produtor deve acompanhar não apenas as cotações internacionais, mas também a variação cambial e o custo logístico.
Fatores que influenciam as cotações
Diversos elementos moldam o mercado de borracha nesta semana:
- Clima e oferta: chuvas excessivas e riscos de enchentes no sudeste asiático diminuem a produção, enquanto doenças foliares e falta de mão de obra agravam o quadro. O déficit global projetado pela ANRPC acentua a tensão na oferta.
- Demanda internacional: a economia chinesa apresenta sinais mistos; embora as vendas de automóveis tenham recuado nas primeiras semanas de agosto, a demanda por pneus continua sustentada. Nos EUA e na Europa há expectativa de redução de juros, o que pode impulsionar o consumo.
- Petróleo e derivados: queda no preço do petróleo limita a alta da borracha, pois reduz a competitividade da borracha natural frente à sintética. Ainda assim, o petróleo continua acima de US$60/barril.
- Câmbio e fretes: a valorização do real frente ao dólar encarece a exportação e reduz o preço‑referência, ao passo que os fretes apresentam oscilações semanais. Monitorar esses custos é essencial.
O que esperar e recomendações ao produtor
As projeções de preço apontam para certa estabilidade no curto prazo, com possibilidade de leve correção no final do trimestre e recuo no prazo de um ano. Entretanto, a oferta restrita e a demanda de economias emergentes podem manter a borracha valorizada. Diante desse cenário, o produtor brasileiro deve:
- Acompanhar indicadores diariamente: utilize o aplicativo Seringueiro e fontes como o Painel Aberto para comparar cotações internacionais, câmbio e fretes. Atualize sua planilha de custos com frequência.
- Diversificar estratégias de venda: avalie vendas escalonadas para diluir riscos de volatilidade. Mantenha reservas de estoque para aproveitar momentos de alta.
- Adotar boas práticas e rastreabilidade: além de mitigar riscos climáticos, a adoçção de Sistemas Agroflorestais e certificações socioambientais pode abrir portas para mercados exigentes como a União Europeia. O cumprimento da EUDR e de normas ESG tende a agregar valor.
- Atentar‑se a políticas públicas: acompanhe a tramitação da Política Nacional da Borracha Natural (RenovaBor) e possíveis incentivos, bem como discussões sobre tarifas de importação. Esses fatores podem alterar a rentabilidade do cultivo.
Conclusão
A semana de 18 a 22 de agosto de 2025 foi marcada por recuperaçção gradual nas cotações internacionais, sustentada por cortes na produção e expectativa de estímulos econômicos, enquanto o preço‑referência brasileiro se manteve relativamente estável. O produtor de borracha natural deve ficar atento às condições climáticas, às negociações comerciais internacionais e à política econômica, fazendo uso de ferramentas de gestão e rastreabilidade para tomar decisões embasadas.
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